5/28/2006

2º Ano - Grupo 6
Proposta A – “Figuras”
As condições pragmáticas indicadas para os projectos foram claras na necessidade de manter a funcionalidade, não danificar e nos circunscrevermos a espaços incaracterísticos, não-identitários.
Da visualização e análise da SNBA, sua vocação, história e vida diária, surgiram-nos as reflexões que, mais tarde, consubstanciámos com os textos de Marc Augé, dos que por ele foram inspirados e dos que dele discordam, como Peter Merriman.
Marc Augé, no seu livro, “ Non Places – Introduction to an anthropology of supermodernity”, defende que a supermodernidade cria não-espaços. “A principal característica da supermodernidade é o excesso, pelo que os não-espaços serão porventura resultados subsidiários de excesso de tempo, de espaço e de ego. Assim a supermodernidade seria criada pela lógica do excesso.”
Nos lugares de passagem, que servem o propósito simples de conduzirem a outros, esses identitários, pessoas passam, solitárias, sem a eles associarem nada, nem se encontrarem: ‘… a communication so peculiar that it often puts the individual in contact only with another image of himself.’ É referência recorrente, dos diferentes autores, o eterno caminhar por não-lugares do filme Paris-Texas, numa solidão sem fim numa paisagem de auto-estradas desoladas.
Vários artistas têm procurado intervir nestes espaços sem identidade, como estações de metro, aeroportos, passagens subterrâneas, contribuindo para a mudança de uma paisagem humana anódina, sem rosto nem nome.

O nosso grupo optou por apresentar, assim, dois projectos que interviessem em 2 áreas onde, sem características identitárias, alunos, professores, artistas passam, mas que permanecem na rota da não-identidade. Pretendemos, assim (Teresa, aqui os teus textos têm que ser inseridos) conferir-lhes a simbologia da vida que têm acompanhado.

No espaço das escadas de acesso às salas de aulas, pretendemos colocar entre 3 a 5 figuras em tamanho real, bidimensionais, mas em interacção, com realce para o cromatismo na parte correspondente às costas, não comum numa figura humana, mas sim nas paletas várias. Esta opção decorre da parca iluminação desta área. Estas figuras representam aqueles que, em busca da expressão estética, não se limitam a passar, mas aí também trocam ideias, afectos e se reconhecem.
As figuras serão baseadas em fotografias feitas na aula, com pessoas reais (com a sua permissão) e apostas a uma superfície dura que as permita ou suspender (preferível por mostrar o movimento) ou prender às escadas (corrimão) com fios invisíveis.




2ºAno – Turma B
Projecto B – “Dar ouvidos às paredes”

O espaço de intervenção será uma parte a identificar do átrio da escola SNBA.

Este espaço caracteriza-se por ser um local de passagem, idêntico a tantos outros com caracteristicas padronizadas de um "não lugar". As pessoas que o cruzam, e que aí se cruzam, não dão por ele, não o sentem. É um espaço "entre".
A nossa intervenção pretende conferir ao átrio um sentido, resgatá-lo do limbo a que está condenado um "não lugar".

Ao interagir com os outros, viajantes desse espaço de passagem
pretendemos que eles se demorem e sintam/pensem e se coloquem questões:
. Um espaço cria uma identidade resultado de quem o habita?

. Diz-se " as paredes têm ouvidos". Conversas, desejos, projecções, angústias, exaltações humanas ficarão presas nos espaços?
. Mas, poderá existir um tempo em que as paredes ”vomitam” o que não é seu?

. Terá o ser humano necessidade de projectar no espaço identificado por si, a quem atribui um sentido, qualidades humanas?
Estas ou outras. Tanto faz. Desde que se questionem, procurem um/vários sentidos teremos ajudado a quebrar a indiferença. E é isso que consideramos importante.

Propomos a colocação de várias orelhas de cerca de 18 cm altura tamanho que serão coladas numa das paredes do átrio (a identificar), a espaçamentos iguais e fixadas utilizando ventosas ou um material que não deixa qualquer vestígio quando se retira.

Posteriormente, serão cortadas tiras de papel de jornal impresso de cerca de 2-3cm de largura, coladas até se obter 3 a 4 metros de extensão; 4 a 5
destas tiras sobrepostas para as fixação no orifício da orelha, afastadas à saída, caindo e amontoando-se um pouco no chão.